Você já parou para prestar atenção nas propagandas de tevê feitas para homens?
Sim, de cerveja, de gelol, de carro, leite ninho....
O homem é sempre apresentado como um bobão, um mané, manhoso, otário, facilmente enganado.
Aliás, homem só é apresentado como uma pessoa séria nos comerciais se for um galã da Globo.
Não me incomodo com isso. Acho até engraçado.
O que eu acho curioso é o fato de ninguém se queixar por isso.
Comparo, inclusive, ao que vi na semana passada, no Rio de Janeiro. Quando contei a alguns colegas de outras coberturas que saíra de Brasília havia cinco meses e estava em São Paulo, os jornalistas cariocas não perderam a oportunidade de me sacanear.
"São Paulo isso. São Paulo aquilo. São Paulo aquilo outro".
Fiquei pensando se eu tivesse me mudado para a Paraíba e eles ficassem fazendo piadas. Eu faria um longo post aqui reclamando de preconceito e bla bla bla.
Por isso que só os judeus podem fazer filmes satirizando eles mesmos. Os negros só podem ser criticados por eles mesmos. O mesmo com os nordestinos e outras vítimas de preconceito.
A New Yorker, por exemplo, meteu na capa lá o nosso Hussein Obama vestido de Osama, queimando a bandeira dos Estados Unidos e tudo mais. Vários se levantaram para reclamar do preconceito, até que alguém lembrou:
- Mas, peraí, por ser negro, de origem muçulmana, Obama não está livre da ironia? Então ninguém pode fazer piadas com ele, é isso? Só com o dedo-duro McCain, porque é branco, serviu na guerra e não defende minorias?
É igual a história do meu agente Fifa, o Vieira Fernandez, cujo defeito é torcer pro Flamengo. Em uma mesa de bar discutindo sobre as maiores torcidas do Brasil, alguém minimizou os números que dão a liderança ao rubro-negro porque a maioria fica no Nordeste. Ele saiu-se com essa:
- Bom, então nordestino não pode torcer pro Flamengo? Não bastasse ser nordestino, ele ainda tem que torcer pros times de lá?
Foi uma piada, óbvio.
Mas eu só entendi porque ele é meu amigo....
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário