domingo, 17 de agosto de 2008

Grandes nomes do esporte

Parece uma grande besteira, mas, para mim, é motivo de felicidade ver o que aconteceu em Pequim hoje. Uma marca que parecia impossível de ser quebrada foi deixada para trás. Fico feliz por fazer parte da história. Quer dizer, eu acho tão importante ver Phelps ganhando oito medalhas de ouro em uma só edição de olimpíada que me considero na história.

Bueno, eu tenho uma história dentro da história principal. Daqui 20 anos, 30, eu vou contar como foi esse momento.

Assim como quem viu a seleção canarinho de 1970 e 1982. Ou quem teve o privilégio de ver Jesse Owens (quem o estadao chamou de Jesse James, dia desses) desafiar o nazismo, em 1936. Quem já viu Garrincha jogando. Pelé. Quem acompanhou Mark Spitz, em Munique, em 1972, ganhar sete ouros seguidos.

Pois é...Eu não vi nada disso. Mas posso dizer que presencei, mesmo sendo via satélite, um cara melhor que Spitz.

Como vi um camarada bater um recorde mundial dos 100 m rasos, no atletismo, e conquistar o ouro olímpico como se estivesse brincando de pique-pega em pleno estádio olímpico.

É a beleza do esporte resumida em duas figuras distintas.

O politicamente-correto Phelps. Moço de família, dedicado, com ar de tímido, porém atencioso com a imprensa e com os fãs. Obstinado como um operário egípcio, que ajudou a construir a Esfinge de Gizé, carregando toneladas de pedras nas costas até formar uma imagem inabalável. Assim como a dele próprio, nas piscinas.

Mesmo sabendo de todos os seus atributos, jamais cantou vitória antes do tempo. Sequer assumiu que fosse tão bom quanto ele sabe que é. Só enxerga qualidades nos adversários mais próximos e isso ficou bem claro em cada uma das vezes que se apresentou em Pequim. Mesmo em primeiro, se esforçou como se fosse um impávido último colocado, cheio de estilo, é claro.

E o displicente-eficiente Usain Bolt. O esguio jamaicano, regueiro, do jeitão de muleque driblador nas peladas de campo de várzea. Todas as qualidades do mais autêntico ponta-de-lança-africano. Quando está diante dos holofotes, parece querer dizer que a glória da vida que escolheu é tão curta quanto o tempo que passa correndo para milhões de pessoas. E a melhor maneira de aproveitá-la é se divertindo.

Dono daquela empáfia de quem sabe que é muito bom e não vê porque não assumir isso. Mesmo que isso (o auto-elogio) seja a causa de sua ruína num futuro próximo. Mesmo que tropece nas próprias pernas (ou na própria língua). Enquanto consegue dar passadas na envergadura que suas pernas permitem, não hesita em mostrar-se feliz.

Há quem diga que é um mecanismo de defesa para insegurança. Dá para concordar com a tese ao observar o olhar de Bolt durante a final dos 100m rasos, em Pequim. A bola dos olhos vai e volta para as raias aa sua direita pelo menos quatro vezes antes de esconder o seu medo de ser derrotado detrás dos gestos espaçosos de sua malandragem juvenil.

Em que pese as personalidades opostas, ambos estão na mira das acusações de doping pelos motivos que disse acima. Não coloco minha mão no fogo por nenhum dos dois. Prefiro nem acusar. Tô fazendo uma leitura positivista da história. Mas é verdade que mais da metade dos adjetivos espalhados por esse texto não faria sentido algum.

O fato é que a figura física deles dois um dia vai sair de cena. Poderiam fazê-lo logo depois de Pequim. Até para evitar arranhões desnecessários. Mas, falando sério, o que mais almejar depois de conquistar tudo?

7 comentários:

Felipe disse...

Você também estava presente quando o Brasileinse ganhou do Gama este ano no Mané Garrincha, pelo candangão.

E o jamaicano tava dopado. Nem considero o recorde batido. É questão de meses até que seja cassado o ouro. O Phelps não, acho que ganhou mesmo.

Abs

DB disse...

se ele tiver dopado, tem que ganhar o oscar de melhor ator, pq ninguem corre dopado com tanta naturalidade. Geralmente, o dopado fica ali, noiado, calado, se fazendo de concentrado....

Felipe disse...

Acho o contrário: por estar dopado, ele correu com tantas sobras que nem se lembrou disso (do doping). Nao precisou nem disfarçar...

Felipe disse...

Acho o contrário: por estar dopado, ele correu com tantas sobras que nem se lembrou disso (do doping). Nao precisou nem disfarçar...

Paulinho Mesquita disse...

"Todas as qualidades do mais autêntico ponta-de-lança-africano."

De duas uma: ou tu confundiu e esqueceu que a Jamaica é na América Central e não na África, ou tu tá perdendo seu conhecimento futebolístico.
Pq eu nunca ouvi falar de um ponta-de-lança africano com qualidades...

Anônimo disse...

aê Daniel Dei Lius,
aperreado até o osso do mucumbu vi quase nada de olimpíada.
Mas, vai demorar procê ficar
gordo, cabelo branco e careca, visse

DB disse...

Paulinho, a maior qualidade do ponta-de-lança-africano é correr!