terça-feira, 23 de setembro de 2008

Coloquei meu celular para lavar

A popularização dos telefones celulares criou uma espécie de terror coletivo.

Minha mãe quer falar comigo.

Me liga três vezes seguidas e só chama. Na quarta tentativa, o celular tá desligado.

Do outro lado da linha ela já pensa: "Seqüestro!".

É muito fácil ser seqüestrado quando não se atende ao telemóvel.

Desenvolvi, de uns tempos para cá, a habilidade de ignorar as chamadas de números desconhecidos. Pode ligar oitenta-e-oito vezes que eu não atendo.

Um hábito que nasceu em Brasília, quando a maioria das pessoas sobre quem eu escrevia no jornal me ligava reclamando das minhas matérias. Sorte que a opinião do meu editor não era a mesma.

Então, se não atendo mais ao telefone, não me importo muito mais com ele. Tirei esse negócio de toque com refrões do Strokes ou Amy, deixei no silencioso e acabei com essa imediatice de dormir com o celular por perto.

Numa dessas, domingo, para ser mais preciso, deixei o celular no bolso do casaco. Esse, por sua vez, foi para o cesto de roupa suja. De lá, diretaço para a brastemp que fica na acanhada área de serviço do apê na Pompéia.

Xirley, a empregada que encara a bagunça desta casa todas as segundas-feiras, foi induzida ao erro. Meteu o casaco lá sem verificar os bolsos. Eu pensava que todas as empregadas bisolhavam os bolsos das calças e camisas e casacos que vão para a lavanderia. Ela não!

Depois de 45 minutos de muita procura, já atrasado para o trabalho, redesenhando o caminho que fizera na noite anterior para supor onde eu teria largado o telemóvel...eis que me veio o estalo:
no c-a-s-a-c-a-z-u-l!!!!

Onde estava o casaco azul?

Tonto, girando para lá e para cá, dentro da brastemp (é brastemp mesmo, a máquina, Ana Paula?)!!!!!

Andar sem celular atualmente, eu diria, é como tirar férias numa praia deserta e desabitada.
Digo mais: abdicar do celular é como transferir a responsabilidade de qualquer coisa, sem peso na consciência.
Vou além: é como ir a uma festa na mansão de playboy sem a namorada.

Ainda acostumado com o hábito (de uma década) de ter um aparelho dependurado na roupa, passei o dia de ontem batendo nos bolsos da calça e da mochila procurando pelo celular afogado na máquina.

É o terceiro celular que dou adeus em exatos 12 meses. É o segundo que vê suas funções diluídas na água em cinco meses. O outro foi-se no mar de Trindade, no litoral sul fluminense.

Gostei muito da idéia de ficar sem telemóvel. Menos uma conta para pagar. Afinal, a gente só vive para pagar contas, não é verdade?

Mas sei que minha mãe (e meu pai!!) são capazes de imaginar que fui seqüestrado porque estou incomunicável, entendo a urgência do dia-a-dia e, em breve vou adquirir mais um celular. Vou procurar pelos modelos anfíbios, que melhor se adequam ao meu estilo desastrados de vida.

Aos amigos para quem eu costumo telefonar (ou vice-versa), mande, para este email, seus números, por favor!

PS - Xirley, a empregada, passa bem.

6 comentários:

Felipe disse...

Eu aprendi a lidar muito bem com o celular. Eu ignoro chamadas (no sentido de nao atender) ate mesmo dos meus melhores amigos. Nao gosto da passar a sensção que posso ser encontrado e estou dispponivel pra falar a qualquer hora. Mas como adoro celular, sempre ando com ele e nao tenho nenhuma neura, nao me seinto preso. Quando alguem com quem nao to a fim (ou nao posso ou preciso de mais tempo pra falar direito) de falar na hora liga e eu nao atendo, espero um horario em que possa dar a devida a atneção, retornar,etc.

Acho insano neguinho deixar celular ligado - e atender - dentro do cinema. Ou entao o cara que atende so pra dizer "nao posso falar agora, te ligo depois". Patetico.

O negocio do celuular é que nem no MSN. Vcoe nao tem obrigação de falar na hora. Se nao responder ou sumir, supoe-se que, naturalmente,voce esta cagando, mijando, jogando videogame, comendo, dormindo, trepando, bebendo, ouvindo som alto, sei la. Ninguem tem o direito de ficar puto se nao consegue falar com você na hora que quer (a nao ser o chefe, é claro, hehehehe).

Quando eu viajo pro exterior em ferias, nem cogito levar o celular. Meu pai vive falando pra eu comprar cartao isso, pra fazer aquilo, mas ele nao entende que nao levo nao é por limitação tecnicao: é por vontade propria.

E com internet ate no meio da floresta no laos, hoje em dia voce dificilmente passa 5 dias sem dar sinal de vida sem que nao va parar na manhcete de jornal. Ou seja: pode sumir sim. Se algo ruim acontecer, TODO MUNDO VAI SABER.

Foda é convencer sua mãe disso.

Atenciosamente,

Ruiva disse...

é tão confortador saber que não sou a única que afoga os telefones. mas, pra minha sorte, eles nunca morreram. sempre consigo um salva-vidas pra resgatar o bichinho.
boa sorte na sua busca por um modelo que nade.

=D

Léo Alves disse...

É pelo menos agora os celulares estão se afogando e água. Pior era antes quando os amigos o afogavam no chope.

Gil de todos os dias disse...

Aahhh, como eu queria ter esse grau de despreendimento... Não sei ficar sem celular. Tenho dois aparelhos. Eles dormem do meu lado. Mas assim como Felipe, eu me dou ao direito de não atender às vezes! Isso já é um começo!! Um passou para a libertação???

Sentimental ♥ disse...

putz, se isso acontecesse com um dos meus eu na hora substituia, chegava atrasada no trabalho, mas dava um jeito de comprar outro... hum, acho q tenho problemas... rs
beijos

Madame Mim disse...

Tô na mesma média que vc.
Um aparelho estragou, outro roubaram, estou no terceiro.
Desenvolvi uma espécie de pânico de celular, de tanto atender cliente em apuro de madrugada.Até a música que eu tinha, me dá calafrio até hoje de ouvir.
Agora deixo sem som. Se for algo ou alguém importante, retorno.
Fico agoniada sem computador, mas fico na boa sem ceular.
bjo