Estranhei quando embiquei o carro em direção à Pompéia e vi a pista vazia. Segunda-feira de manhã sempre tem engarrafamento na saída da garagem.
Na segunda-feira passada não tinha. No outro sentido da avenida, subindo em direção à V. Madalena, uma ambulância zigue-zagueava escandalosamente o pequeno aglomerado de carros.
Olhei para esquerda para ver se vinha carros descendo a Pompéia, e vi pessoas correndo, com leve ar de desespero, no cruzamento da Pomps com a Padre Chico, duas esquinas acima do portão da minha garagem.
- Deu alguma merda!, disse a Ana Paula, que estava ao meu lado e também se espantara com a avenida vazia.
- Quê? Onde?
- Ali em cima. Deu alguma merda: ambulância, Pompéia vazia, gente correndo no cruzamento ali da Pe. Chico.
- O que será?
- Ah, um atropelamento. Com certeza alguém foi atropelado. Pela quantidade de pessoas em volta!, cravei, com a autoridade de quem acabara de presenciar um acidente.
- Nossa, não quero nem ver.
Quinze minutos mais tarde, passei em pela esquina da Pomps com a do Padre. Não havia ambulância alguma, a Pompéia continuava vazia, e a correria se estendera para os demais cruzamentos da avenida. Eram adolescentes correndo de um lado para o outro comemorando a aprovação no vestibular.
Parei no sinal e perguntei ao taxista:
- E o atropelamento que teve aqui?
- Atropelamento? Aqui? Quando?
- Agora há pouco! Vi a ambulância chegando e tudo mais...
- Não, a ambulância passou direto. Hoje o movimento tá é devagar. Tem mais filhinho de papai correndo pedindo dinheiro nos semáforos do que carro na rua.
Para você ver como somos tendenciosos.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
4 comentários:
A pergunta é: alguém dá dinheiro pra eles??
em são paulo não sei, mas aqui em brasília sempre rola isso qdo sai resultado da unb. e a galera consegue arrecadar dinheiro sim!
O brasileiro é muito preocupado com as dificuldades de quem não as tem.
Na segunda-feira, acordei com os filhos da PUC batucando...
Postar um comentário