terça-feira, 3 de maio de 2011

Moinho

Eu consegui misturar Queen com Black Keys, Ramones com Cure, James Brown com Neil Young.

É, admito, é ridículo isso. Mas é a segunda melhor distração nas duas horas diárias de trânsito. Só perde para o ato de pensar em posts como este. Aliás, as duas coisas se completam. Músicas e temas andam juntas no carro comigo. Há casos de músicas que me lembram textos inteiros deste blog no meio do chaos paulistano.

Mas isso náo cabe como justificativa para misturar miami com copacabana (chiclete eu misturo com banana).

O problema é que os cds mp3 cabem pouco, não mais que 700 mb. Seriam umas 100 músicas ou um pouco mais. Daí baixa-se o 'Best of' de bandas que sempre quis ouvir com maior atenção e junto com outras que estão aqui guardadas no meu computador e coloco tudo no mesmo CD.

Numa dessas, a combinação Legião - Smiths deu certo. Tão certo que baixei tudo logo do Smiths e dei um cd inteiro só para ele. E nunca mais ouvi Legião.

Até porque, meses mais tarde resolvi baixar The Cure. Inventei de colocar o New Wave de Robert Smith vizinho ao punk rock dos Ramones. Resultado: Cure sobressaiu-se e Ramones jamais foi ouvido com atenção.

O mesmo com Neil Young. Sua melancolia contrasta com o vigor de James Brown nas picapes do meu carro. Muito embora tenha até me arrepiado com o solo de Cowgirl in the Sand, sua batida náo combina com o ambiente hostil das ruas. Não para mim, um cara com dois dedos de profundidade.

A combinação de estilos no cd, além do esdrúxulo da coisa, atrapalha o desenvolvimento do gosto musical. Assim, nos últimos cds que acrescentei aa minha discoteca ambulante, tratei de não misturar muito. Meti Weezer só com Weezer. Cake, só com Cake.

A última aquisição, The Doors, foi acompanhado de Kings of Leon, que não tem muita coisa a ver um com o outro, mas como Kings of Leon é uma banda que, atualmente, dispensa tanto tempo, por todos os serviços prestados como trilha sonora em diversos momentos da vida, então KOL fica ali mais como uma bola de segurança, assim como Rolling Stones, Strokes e Killers.

Para completar a bagunça e esculhambar de vez o repertório musical, cabei de Abaixar a discografia de Cartola, meu companheiro em uma viagem inesquecível em 2006. E ele deve ser inserido em um CD solo e incorporado aos demais amanhã ou depois.

Afinal, 'a vida é um moinho'. Assim como meu case de CDs.

Um comentário:

berna beat disse...

neil young rola gostoso dentro do carro. mas nao na cidade-paranoia. experimente pegar uma estrada na companhia do velhinho. encontrará poucos companheiros de viagem melhores do que ele.