Seus primeiros meses foram uma grande aventura urbana. Desgarrado da mãe, ele viveu errante nas ladeiras de Perdizes e terrenos baldios da Barra Funda em busca de um lugar para se aquecer e sobreviver.
Certo dia, veio parar na garagem do prédio onde eu moro aqui na Pompéia. Por 40 minutos, ele conseguiu driblar as garras afiadas de Ana Paula. Cansado, se entregou e foi trazido até o sétimo andar, miando.
Ganhou o nome de Remela e passou suas duas primeiras semanas isolado, no banheirinho da empregada, entre as caixas de papelão que guardam meus jornais gringos, com bilhetes de cinemas, latas de cerveja de países que meus amigos já visitaram, recortes de jornais e outras coisas que eu não carregaria em um naufrágio.
A transição da rua para o apê, obviamente, contou com uma pequena assistência veterinária e um belo banho.
Permaneceu enfurnado de trás do vaso do banheirinho até um dia desses.
Começou a se aventurar pelos demais cômodos da casa sem medo dos nativos, ou seja, nós que já ocupávamos este espaço antes.
Um cheirinho aqui, uma lambidinha ali, uma mijadinha acolá e ele marcou território. Mais alguns dias e ele aceitou chegar perto dos nativos para criar uma amizade. Motivo pelo qual, aliás, ele foi apanhado no meio da rua por Ana Paula.
Ela é apaixonado pelos modelos vira-lata. Quando morava em Brasília, nunca teve a autorização da mãe para criar um. Desde que eu desembarquei aqui na Pompéia, ela insiste para termos um gato e um cachorro. Eu sempre concordei, para evitar confusão, mas nunca tomei a iniciativa de ir atrás de um.
Quando Remela chegou, impus apenas o nome. Tava na cara.
Nem um mês tem que Remela está conosco e já toma conta da casa. Desfiou o sofá; partiu o fio do fone de ouvido; carimbou o edredon da minha irmã e a cama dela duas vezes. Sobraram até umas gotículas para o notebook dela. Deixou sua marca na nossa cama, também. Come feito uma porca em gestação. Dorme enrolado nas toalhas limpas. Morde o dedão do pé das pessoas que tentam assistir tevê tranqüilamente. Me deu os primeiros sintomas de uma grave crise alérgica somada a uma sinusite e uma garganta inflamada (de novo).
O lance é que eu já me apeguei a ele.
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2 comentários:
e mais importante, ele é uma gostosura! agora só falta o meu cachorrinho :)
kkkkkkkkkkkkk Amei o nome!!! bem escolhido: REMELA!!
abraços
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