sexta-feira, 4 de julho de 2008

O Brasil não é plano

Pode parecer uma grande obviedade, mas é incrível como o Brasil pode abrigar cidades tão diferentes como Campina Grande (PB), Curitiba (PR) e Campo Grande (MS).

Sei la, talvez nos Estados Unidos Key Biscane não tenha semelhança alguma com Portland. Ou na Rússia Novosibirski seja absolutamente diferente de St. Petersburgo. Na China, mesmo, Lhasa não tem e não quer ter nada a ver com Xangai e Pequim.

Tudo bem, mas eu tô falando daqui mesmo.

Estou em Campo Grande, a trabalho, e estive nas outras duas cidades em menos de 45 dias e não pude deixar de comparar.

Quem sou eu para ir de encontro à opinião de Thomas Friedman, do NYT, até porque o livro dele repousa tranquilamente (e zero km) na prateleira de ferro do corredor de casa, mas eu mesmo pude constatar as diferenças regionais. Segundo Friedman, o mundo é plano, tá tudo virando a mesma coisa, pelo menos economicamente, só para resumir porcamente.

Já eu, do alto da minha ignorância, não digo geografica nem economicamente, muito menos sobre sotaques. São questões vocacionais mesmo, culturais...

Eu acho que Campo Grande é uma das poucas capitais no Brasil onde não rolou êxodo nordestino. Primeiro, pela distância, né? É claro que deve ter alguns que desviaram do eixo RJ-SP-BSB e vieram parar aqui, até porque Mato Grosso do Sul tem, sei lá, uns 30 anos de existência. Até então, era parte isolada de Mato Grosso.

Campo Grande deve ter completado uns 100 e poucos anos recentemente, prato cheio para imigração.

Esta é a cidade mais ao oeste que visitei no país. É planejada, com avenidas razoavelmente largas e bairros bem divididos.

Aqui os caras falam da Bolívia, como Vanucci falou da África do Sul. Mas as coisas por aqui giram em torno do agronegócio, turismo rural (o Pantanal entra nesse nicho?) e afins.

Já em Curitiba, se falar de Campina Grande lá, eles pensam que você tá falando de Campina Grande do Sul, uma cidade satélite, na região metropolitana. Pô, Curitiba precisa-se andar de cirola pra fugir do frio. Os pratos típicos de lá eu nunca tinha ouvido falar. Um deles é o barreado. Tem um suco ou é um refrigerante típico lá que eu não me lembro agora.

Em Curitiba, pode-se confiar no transporte público. Acima da média nacional, é preciso acrescentar.

Aí você tira um cara de Curitiba e o leva até a feira da Prata, em Campina Grande. Mete o camarada no meio do bate-papo com os feirantes; apresenta cuminho, gerimum, macaxeira, coisas que ele conhece mas com outros nomes. Coloca esse rapaz para trabalhar com os locais por uns seis meses para conhecer outros níveis de relações pessoais.

A espontaneidade, o comprometimento, a responsabilidade, o profissionalismo...a remuneração.

Invertendo a ordem, um campinense em Curitiba, também serve como exemplo.

É, meu amigo, é outra história. Não digo aqui que é melhor ou pior.
Diferente.

3 comentários:

Felipe disse...

Pô, eu passei só uma noite aí e gostei. Ainda vou pra Bolívia de busão e passarei daí até Corumbá. Equanto esse velho trem atravessa o Pantanal...

E não achei uma cidade tãaaaao diferente. É, de fato, diferente. Mas nem tanto. Ou, antes pelo contrário, sei lá. Talvez seja. Ou não...

DB disse...

campo grande não é uma cidade diferente, de verdade. Tem lá seu centro congestionado, camelôs na porta da igreja e nos calcadoes, velhos casaroes coloniais, belos bairros residenciais, um shopping com chafariz-praça-de-alimentacao-e-cinemark...so fez algumas referências aos moradores e aos costumes. coisa pouca. nada de muuuuuuuito diferente.

Anônimo disse...

o mundo não é futebol, mas também é uma caixinha de surpresas.
Abção