Alguém mudou a posição do espelhinho, e agora eu vivo inclinado no banco do carona dando toquezinhos leves para encontrar o ângulo certo. É importante que ele esteja na posição correta para que eu não vire alvo dos motoqueiros, os bedéis das caóticas avenidas de sao paolo. E também para que eu não cometa o pecado que acuso ser feito pelos outros motoristas, o de comer minha faixa e invadir o espaço de outro carro.
O retrovisor direito, aquele que deixa um ponto-cego da viga entre o vidro do porta-malas até o do banco de trás, faz parte do hall das coisas exatas dessa vida. Com centimetragem definida desde o início dos tempos.
Para mim, ele deve abranger:
- 20% para visualização da lateral do carro;
- 5% para a ponta da roda traseira direita, ou pelo menos do paralama;
- 15% da parte de cima do vidro lateral traseiro direito;
- 45% da faixa em que você está;
- 55% da faixa imediatamente à sua direita;
- 15% da faixa ainda mais à direita.
Claro que cada um sabe o tamanho do retrovisor que merece.
Não sei se você percebeu, mas, sim, a conta passa dos cem por cento. Justamente porque nenhum retrovisor consegue contemplar todos os pontos.
A não ser que você tenha o espírito de taxista e coloque aqueles espelhos arredondados na ponta do retrovisor direito, como uma lente olho de peixe, ou uma grande angular. Aí você vê a rua inteira, mas corre o risco de ficar tonto vendo aquelas motos rodando por aquela bolinha na ponta do espelho.
Outra opção é ter um daqueles carros mata-mendigo (nome dado por um colega), que o retrovisor é maior que o vidro do porta-malas do meu unim.
É justamente por ser pequeno e por não conseguir encaixar tudo em seu diminuto espaço, que o meu retrovisor direito está me dando calafrios nos últimos dias.
O fato é que ele tá ali, meio torto, meio sem saber para quem olhar direito. O que é pior, só dá para arrumá-lo com o carro andando, e com o motorista na posição de quem tá dirigindo.
Deve ter sido um zombie na São João x Duque de Caxias, que remexeu enquanto eu estava parado no sinal, me pedindo dinheiro em troca de uma limpadinha no retrovisor. Ou pode ter sido os malucos do estacionamento onde parou o carro todo santo dia, todo dia santo. Ou pode ter sido Lara, que usou o unim recentemente e deve ter tido trabalho para somar todo aquele percentual de visão e colocá-lo numa posição boa.
Não é momento de encontrar culpados, mas de resolver o problema. O mais rápido possível.
Um comentário:
Ah, os unims...
Postar um comentário