sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Motorista

Eu entendo que todo mundo trabalha sob pressão.

Desde o motorista de ônibus preso no engarrafamento em São Paulo até o presidente da Price Waterhouse Coopers. É claro que entre um e outro há um abismo salarial do tamanho do infinito que justifique o nível de cobrança e a maneira de lidar com ela.

Mas, cara, não me entra na cabeça o fato de ser tratado como saco de batatas a cada vez que eu entro num ônibus em SP. Deve ser assim em todo lugar. Uma amiga paraibana que mora em Brasília já quebrou uma costela por causa da imprudência de um motorista de ônibus.

Eu sei que eles passam horas naquele para-frente-para-trás das avenidas abarrotadas. Que tem que desviar de pistas esburacadas, motoristas roda-presa, passageiros folgados e outros tipos de desgraça que tiram a paciência de qualquer um.

Eu sei. É f*da mesmo. Mas não precisa entrar numa curva a 80 km/h quando o ônibus tá lotado. Às vezes eu penso que a diversão do motorista é exatamente esta: andar rápido para que a galera do fundão se balance mais e fique se contorcendo para se manter em pé.

Voltei a andar de ônibus desde que vim para SP e vendi o Pacato. Antes disso, andei em 1992, 1993 para ir ao colégio. Rapidamente, aderi à bike e abandonei os ônibus de novo. Uma vez, uns 15 anos atrás, eu e Brunão quase fomos assaltados. Meu irmão deu uns murros na mão do pivete e eles vazaram. Fiquei traumatizado e só andei de bike.

Quando estou na Barra Funda, vejo uns ônibus chegando no terminal quatro horas depois de sair do ponto inicial. Sei disso porque fica escrito na janela, em giz, o horário de saída: 17h45. Imagina o drama lá dentro?

Dia desses subi num ônibus que nunca havia pêgo e perguntei ao motorista:

- Esse aqui passa no CArrefour do Limão?
- sim...
- Com licença, este ônibus passa em frente ao Carrefo...
- Já falei que passa, p*rra!
- Ta bom, desculpa, nao precisa gritar, car*lho!

Mais ou menos como o presidente da Price deve falar com seus funcionários.

6 comentários:

Paulinho Mesquita disse...

Eu sempre defendi: motorista de ônibus tinha que fazer curso de etiqueta!

Felipe disse...

Nossa, cara, numa boa, morar em São Paulo é tudo de uma visão de inferno que eu tenho.

Mudando um pouco - mas não muito - de problema, me dá alívio estar aqui no Planalto Central quando abro o G1 ou o UOL e leio: "Congestionamento chega a 279km em São Paulo". Ou algo correlato.

Sem-noção!!!

Anônimo disse...

em são paulo rola um lance de culpa histórica, de "herança maldita" sei lá por que. no mundo real, algo como: "o diagramador mora na favela ao lado do jornal, então ele pode ser um puta escroto do caralho quando tu vai pedir um favor" ou "o motorista ganha um salário mínimo e isso permite que ele sacaneie as pessoas no trabalho". sei lá. esses permissivismo, ou seja lá como isso se chame, me deixa bem irritado. eu também trabalho de mais e ganho de menos (ou demais e demenos) e nem por isso saio escrotizando tudo por aí. a não ser quando faço comentários em blogs.

Unknown disse...

EU ODEIOOOOOO ÔNIBUSSS!!!

:(

Leandro Galvão disse...

O diabo é quem mora numa cidade como essa. Tá doido...

Sem mais para o momento

Ana Clara disse...

Tem que decorar... quando vem escrito Cachoeirinha, passa. Isso ja aconteceu comigo, mas depois entendi que o cara responde isso umas 452 mil vezes por dia hahahaha