quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O Souza

Vômito é sempre uma parada traumática. Indo ou voltando.

Ele (sei que estou sendo redundante) é repugnante...desmoralizante. Para qualquer um.

Eu tentei fingir naturalidade ao chegar à porta do Souza, na madrugada do sábado passado, na companhia dos amigos brasilienses, e ser recepcionado por uma rajada de vômito.

Souza Lanchonete está localizado a 900 metros ladeira acima do meu prédio, na Pompéia. Ainda sob o efeito das cervejas que tomei ontem, com o Queiróz, escrevo este post. Aproveitei a passagem por lá e perguntei sobre as origens do Souza.

Souza tem esse nome desde 1999, quando o comerciante Souza himself comprou o antigo bar "Fecha Nunca" e deu uma remodelada. Para tornar o ambiente familiar, colocou o nome de lanchonete, quando na verdade continua sendo um bar...e lanchonete/restaurante.

O local tem maior jeitão de mais um bar qualquer de esquina de São Paulo. Aliás, ele fica em frente a um irmão gêmeo, mas que não funciona 24 horas, e não tem metade de sua fama.

O Souza é pau para toda obra. Ou melhor, cerveja para qualquer ocasião. Cachaça também. Num domingo desses aí eu voltava da Vila Clementino e passei na frente do Souza. Resolvi parar para tomar uma gelada e voltar para casa.

Para minha surpresa, quem estava na mesa ao lado era o cara com quem eu corto o cabelo. Morto de bêbado, ele ouvia música brega no celular, cantava alto e revezava entre um gole de cerveja e outro de cachaça. Um amigo o encontrou e a única coisa que o barbeiro conseguia falar era: é o fundo do poço!!!

É uma tremenda sacanagem com o Souza. Quando estou quebradaço de grana (todo santo dia e todo dia santo) vou para lá almoçar uma bela saladinha simples, com arroz, feijão, fritas e filé minhon. Mas é filé, garante o Souza. Dizem que a especialidade da casa é um virado à paulista. Não tive coragem.

Um amigo me indicou o Souza, ainda em abril, um mês depois de chegar por aqui. Ele leva a namorada lá para jantar. Parece que passaram o dia dos namorados lá.

Souza não anuncia em jornais, panfletos em semáforos, emissoras de rádio. Ele confia no boca-a-boca. Ou no blog-a-blog...

O cara me indicou. Eu levei minha irmã, meu irmão, meus amigos daqui, minha namorada...meus amigos brasilienses.

O Souza tem suas regras. Apesar de ser 24 horas, não se vende mais cerveja depois de 6h da manhã. "Porque começa a chegar o pessoal para tomar café da manhã, aí pode conturbar o ambiente".

Bom, antes de pararem de vender cerveja, eu e os amigos de Brasília chegamos ao Souza. Quem vem a São Paulo não quer ir em qualquer bar. Mas eu contei um pouco da história do Souza a eles, que aceitaram conhecer o local.

Eis que quando a gente pisa na calçada do Souza, todas as referências propagandeadas sobre minha segunda casa em São Paulo vão por água abaixo com o vômito do bêbado, na porta do bar.

O resto da noite está aqui, no blog de um cara que não acreditou nas minhas histórias sobre o Souza e pagou para ver. Deu no que deu...

10 comentários:

Leandro Galvão disse...

Puta merda! O cara que corta seu cabelo merecia um post especial. "É o fundo do poço...". Totalmente excelente!!! É por isso que recomendo a todos o recinto.

Sem mais para o momento

Ederson Marques disse...

kkkkk... uma imagem diz mais que mil palavras. briba, meu amigo, todo seu discurso caiu por terra quando o jovem resolveu mostrar o que, de fato, é o Souza.... muito boa a história, apesar de gay o fato de vcs terem feito troca-a-troca com ela... kkkk

Anônimo disse...

Vontade de conhecer o Souza!

Sem mais para o momento...

Mário Coelho disse...

O legal (ou não) de São Paulo é que bares assim existem a rodo. Quando morava em Pinheiros, tinha um bem ao lado do prédio, o Jack's. Eu ia tanto lá para me alimentar que os caras já sabiam o pedido de cor: "um X-tudo e uma Bohemia enquanto espera". Como tinha um puteiro no lado - o Estação Pinheiros (heheh) -, as primas disputam o café da manhã com os trabalhadores de horário comercial às 6h. Coisas de uma cidade de verdade.

Anônimo disse...

caralho,
tenho q ir aí qdo eu for de novo a SP.
Bom, nem vou reclamar q vc não me levou pq... tu sabe, nem parei em casa.
Abração

Paulinho Mesquita disse...

Fantástico!
As vezes a gte passa vergonha, né? Indica O lugar e dá um azar desses, mas é normal...

Gil de todos os dias disse...

"Vômito é sempre uma parada traumática. Indo ou voltando."
Fiquei pensando nessa sua frase...
Pra seu um, ele faz o caminho contrário, ele "volta" pra fora...
E indo?? Como é isso?? =)

DB disse...

astier, to esperando seu retorno, hein!
gil, "indo e voltando" da margem aa varias interpretacoes, mas o que ta mais aa mao é indo (saida mesmo) e voltando (engolindo de volta, tendo que segurar)...ergh!
eheheh

Ana Clara disse...

E eu perdi o Souza, rapaz!

Gil de todos os dias disse...

A imagem do "sendo engolido de volta" ainda me parece pior do que quando ele cumpre seu objetivo de sair!! aaarrr, que conversa sem futuro!! kkkkkkk