Eu não disse que o tempo passa devagar?
Ontem, por exemplo, eu vi a fórmula 1 em câmera lenta. Agora, lendo nos jornais, descubro que foram quase três minutos de câmera lenta, do tempo em que Felipinho era campeão mundial até o momento em que Hamilton roubou a taça da mão dele.
Eu estava na sala de imprensa, correndo de um lado para o outro. Duzentos e cinqüentas jornalistas de diversas partes do planeta estavam de pé. Os ingleses estavam com as mãos na cabeça, sem acreditar, os brasileiros se dividiam entre a provocação aos ingleses bairristas, a comemoração antecipada e a cautela.
Eu nunca estive em um lugar/momento tão emocionante como o autódromo de Interlagos, no final da tarde de ontem.
Para mim, seria até pior que Felipinho se tornasse campeÃo porque teria que trabalhar quatro vezes mais. Teria que reescrever oitenta histórias para encher a lingüiça do jornal. Passei 80% da prova tranqüilo, mas com peso na consciência por fazer aquela corrente para trás.
Mas no final, não virei a casaca. Torci descaradamente para Felipinho. Sim, Felipe Massa, sósia do Zacarias, de carisma e habilidades razoáveis, suficientes, porém, para fazê-lo chegar ao topo.
Ninguém mais que ele pulou de um pé para o outro entre a sorte e a falta dela, neste ano. A própria corrida de ontem foi uma síntese do que rolou no ano inteiro. Dizem que a música que ele mais ouviu no cockpit foi It ain't over till it's over. (So many tears I cryyyy)
Faz sentido.
Os minutos finais da Fórmula 1 duraram muito mais que os 100 minutos que os precederam. Do momento em que Felipinho passou em primeiro Vettel atropelou Hamilton e Glock patinou na pista. Os carros, a 300km/h, pareciam andar em primeira marcha.
(Bom, vale explicar que lá dentro da sala de imprensa, acompanhando todos os números e parciais, a corrida passa muito maios rápido e interessante do que deitado no sofá de casa vendo Galvão vomitar arrogância. Aí, sim, a corrida dura uma eternidade.)
A galera no autódromo não sabia nem o que fazer nos minutos mais demorados entre todos os minutos da F1: comemorar a vitória ou esperar Hamilton?
Não sabia...
Aplaudiu, quando Hamilton passou em quinto e Felipinho subiu no primeiro lugar no pódio, numa vitória sem valor.
Para terminar, hoje eu vou tentar falar com Hamilton de novo. Pela quinta vez eu ficarei na cola dele num prazo de quatro dias. Vou ao aeroporto tentar entrevistá-lo. Ontem, após a corrida, por exemplo, fui esmagado pela imprensa inglesa e não consegui falar nada...nem ouvir. Pior foi na quarta passada, que você pode ler aqui.
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5 comentários:
eu fiquei de cara é que a imprensa nao entrevistou o hamilton. Ficaram colocando o massa, o alonso e o raikkonen pra justificar o azar do massa, elogiar a postura dele deopis do resultado. Entrevistaram o Jack Stewart pra falar do MAssa. Mas ninguém fez matéria com o Hamilton. Nego é muito parcial aqui, vou te contar!!!!
cara, a imprensa inglesa fez um super cinturao em volta do hamilton. a unica emropesa do brasil que falou legal com hamuilton foi a globo, por sorte, pq a mariana becker ficou na frente no cercado onde LH falou. eu mesmo fui esmagado nas tres entrevistas de dois minutos que ele concedeu após a corrida. mas se vc ler o estadao de hoje, vai ver que eu falei com as pessoas que o cercam: preparador fisico, chefe da equipe, pai...e agora eu to indo ao aero tentar conversar com ele. pela ultima vez...neste ano!
Adorei o resultado da corrida.
Claro que todo mundo queria que o Massa fosse o campeão, mas já deu pra sentir aquele gostinho bom de ganhar e de torcer sabendo que temos chance.
Espero que consiga falar com o Hamilton.
inté.
a corrida foi foda...
falou com o hamilton?
Acabei de ler sua matéria, cara, ficou show de bola o lance de fazer a ambientação. Gostei mesmo, parabéns mais uma vez!!!
E não sabia que você assinava no Estadão sme nenhuma distinção do tipo "do Jornal da Tarde" etc.
Abssss Biliiiiiiiiicaaaa
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