quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O filtro

Tem gente que junta rolha de vinho. Outras pessoas colecionam anel de latinha de guaraná. Eu colecionava tampas de garrafa de água.

Mania estranha, é bem verdade, mas era sem querer.

Desde que comecei a morar só, em 2007, só havia água potável (acho engraçada essa palavra: potável, potável, potável...) se eu comprasse no supermercado meia dúzia de garrafas de um litro e meio.

Elas passaram a ser minhas companheiras inseparáveis. Dormíamos abraçados. Deixava uma no Pacato, fermentando. Estocava num canto da cozinha.

Ao final de cada, jogava a tampa num potinho, ao lado da cama. Um dia, já prestes a deixar Brasília e vir para São Paulo, notei que havia enchido o pote. Eram quase 70 tampinhas azul, branca, roxa, verde, transparente, amarela...

Fiquei pensando naqueles caras que fazem uma cidade em miniatura só com tampa de garrafa. Ou, sei la, um barco de tampinhas de garrafa. Mas daí eu precisaria juntar as garrafas também, para o barco não afundar.

Bom, o lance era que pagava mais de 50 reais por mês para...beber água!!!!!!!

Precisava de um filtro.

Mudei de cidade e não deu tempo de comprar.

Desembarquei em SP e no apê da Pompéia também não tinha filtro.

Para não ter peso na consciência, joguei fora a coleção de tampinhas. Sem remorso. Foi pro lixo. Alguma OnG deve estar construindo uma cidade em miniatura ou uma jangada com ex-timada coleção.

Mas continuei com o apego às garrafas. Rolava uma preguiça de gastar R$ 300 paus por um filtro. Sim, um filtro de água potável é por aí: R$ 300, sem água gelada, ou R$ 400 com água gelada. Aliás, deve ter aumentado.

Pensando bem, se somar todas as garrafas d'água que comprei desde o começo de 2007 (quando comecei a morar só) dá mais que o dobro disso aí.

Eis que a mãe de Ana Paula, no gesto de caridade, nos deu um filtro. Meus dias de xamêgo com as garrafas de plástico acabaram. Tem água potável saindo da torneiro a qualquer hora.

De repente, não mais que de repente, minha memória foi inundada pela lembrança daqueles emails que circulam por décadas informando que, em um ano, bebemos mais de 10 quilos de coliformes fecais escondidinhos na água.

(É o mesmo email que diz no primeiro item que ninguém consegue lamber o cotovelo. E no último item diz que 100% das pessoas que leram o item 1 tentaram lamber o próprio cotovelo)

Não sei se é mais uma mentira internética que acredito, mas tomei (literalmente) como verdade, porque a quantidade de água podre que eu devo ter bebido nessas garrafas de tampas roxas, amarelas, transparentes....Esse comércio de água tem um bocado de pilantra que reaproveita água de qualquer lugar e engarrafa. E os bestas compram!!!

O mais provável é que a estatística tenha errado para menos, no meu caso.

Mas esse número deve cair agora, com a chegada do filtro, porque, como o próprio nome já diz, ele filtra "as impurezas da água".

Mas, eu não sei, eu tenho saudade das garrafas de tampas coloridas. Tanto que, sempre que posso, compro uma e deixa ao lado da cama para beber à noite. (Mas não guardo as tampinhas)

4 comentários:

Felipe disse...

Aposto que no seu filtro novo não tem lactobacilos vivos.

Ruiva disse...

Será que todo mundo que mora sozinho tem esse drama? Eu tive. Mas ae num belo dia que esqueci de comprar e quase morri de sede, a coisa mudou. Comprei aquela base pra garrafa gigante de 20 litros. Na sua cidade não tem????

DB disse...

putz, eu nao gosto daquele garrafao, pq é maior trabalheira para troca-lo...e eu gostava das garrafas de plastico de um litro e meio!

Madame Mim disse...

Eu tbém ia perguntar do garrafão e sugerir ...mas eu tbém tenho preguiça de trocar.