Toda vez que o pai falava, os filhos reviravam os olhos, sem paciência para conversar, e tiravam os fones dos ouvidos. Sem dar uma palavra, os muleques, aparentando 16 e 14 anos, ouviam sem interesse ao velho e logo recolocavam os fones no ouvido.
Presenciei essa cena no início da tarde de hoje, quando retornava pela W3 Sul de um almoço. O pobre do velhote, pai dos garotos, queria manter uma conversação com os filhos no caminho da escola.
Não conseguiu...
Ele caiu na besteira de dar um Ipod para cada.
O mais velho, sentado no banco da frente, cheio de espinhas na cara, jeitão de pagodeiro era a imagem do desânimo dentro do carro. O mais novo, de cabeça baixa no banco de trás, vestia roupas de metaleiro, sei la, de rebelde do SBT, e parecia estar dormindo.
O pai estava com o som ligado na rádio de MPB. Esse tipo de som não faz mais o gosto da molecada (se é que já fez algum dia nos últimos 10, 15 anos).
Se no carro, no caminho para o colégio, é assim, imagine como deve ser a convivência desta família dentro de casa???
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Um comentário:
Quando eu eramoleque, um dia perguntei pro meu pai por que a gente não podia ter televisão no quarto. Ele tinha razão: "filho, se a gente colocar TV no quarto, daquia pouco vc vai querer uma geladeira e não sairá mais de lá".
Faz sentido.
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