Para que ninguém venha aqui dizer que eu sou falso moralista, por causa do post de quinta-feira, deixe-me contar uma história rápida.
No penúltimo dia da minha viagem para Europa há quase um ano, fui a um bar em Lisboa assistir ao clássico inglês entre Manchester United e Chelsea. Já estava quebrado de dinheiro, não tinha a mínima condição de ficar bebendo cerveja à toa, muito menos de visitar mais museus e mais igrejas.
Tinha nada mais que 45 euros na carteira.
Sentei em frente ao balcão antes do início do jogo.
Pedi uma cerveja.
Outra.
O jogo começou
Mais outra...
O garçom era do interior do Paraná, super-simpático.
Uma rodada dupla.
E o jogo já no segundo tempo.
Mais uma cerva.
"Caraca, eu tô bêbado... Quanto vai dar essa conta?"
A última... "Cadê o paranaense? Ih, já é uma graçonete, puxo papo ou não?"
A saideira!
"É melhor deixar quieto, ela tá trabalhando".
Manchester 1 x 1 Chelsea.
- Moça, por favor, me traz um sanduíche de frango e uma coca, por favor...
Outra coca e uma água com gás.
"É, vou ter que pagar no cartão (que também já estava estourado). Vai dar muito cara esta p*rra".
- A conta, por favore...
"Um sanduiche, duas cocas e uma água com gás. Em euros: $11,50. Ué, cadê as oito cervas?".
Pensei em chamar a garçonete para corrigir o valor. Deveria pagar uns 30 euros, no mínimo. Passei tanto tempo no bar que mudou o turno dos garçons, o paranaense esqueceu-se de cobrar minhas cervas e a garçonete não sabia que havia bebido tanto.
Abri a carteira e vi minhas últimas notas de euro lá. No dia seguinte teria que pegar um taxi para ir ao aeroporto, as malas poderiam passar do limite de peso da TAP, eu precisaria daquela parca graninha ali na carteira...
Cinco segundos para pensar e decidir:
Ser honesto ou malandro?
Ser honesto ou malandro?
Ser honesto ou malandro?
Fui "malandro". Deixei 15 euros no pires onde estava a conta do sanduíche e saí fora...
Daí se explica a mais famosa frase do filósofo Anacleto Reinaldo:
"Brasileiro é cabra safado mesmo!"
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Um comentário:
Mau-caráter.
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