quarta-feira, 12 de setembro de 2007

O que é o preconceito!

Em um boteco chamado Empório Brasília, numa apertada rua no interior de São Paulo, eu e mais três jornalistas de Brasília nos encontramos com um grupo de repórteres paulistas.

Papo vai, papo vem, pedimos uma batata frita e uma cerveja. Os anfitriões ficaram impressionados porque nenhum dos jornalistas de Brasília eram nascidos em Brasília.

Parece aquelas piadas velhas e sem graça, mas nosso grupo tinha um baiano, um gaúcho, um mineiro e um paraibano.

Uma gordinha riu na hora que falei de onde vinha. Perguntei o motivo. Ela tossiu, como se estivesse limpando a garganta para passar meia hora gastando saliva justificando-se, mas respondeu que seu irmão fora casado com uma paraibana, e"graças a Deus acabou, porque ela era muito danada".

Papo vai, papo vem, mais uma porção de carne com fritas e outra cerveja. Era nosso jantar, após um dia inteiro de viagens, apuração e finalização de uma página de matéria sobre a final do campeonato brasileiro de basquete.

Acabou o papo, acabando o encontro, pedi uma notinha de consumo para o garçom.
A tal da gordinha olhou para mim e perguntou se eu não tinha vergonha de pedir uma notinha que seria apresentada dias depois no jornal para comprovar o gasto da verba recebida para a viagem.

Achei engraçado, pensei que fosse uma brincadeira, e respondi perguntando o porque daquela ofensa gratuita.

- Você tomou duas cervejas e comeu batatas fritas ainda quer que o jornal pague???
- Bom, poderia ser coca-cola, água de coco, Chateauneuf-du-Pape , mas eu pedi cerveja. Eu queria tomar cerveja. Não fiquei bêbado, apenas queria beber cerveja e jantar batatas...

Percebi que não devia qualquer justificativas aa ela, que estava visivelmente bêbada e descontrolada.

Como se eu fosse o culpado pelos chifres que o irmão dela levou da minha conterrânea, a miss simpatia não se constrangeu em soltar seguinte frase:

- Só podia ser paraibano mesmo, viu!!!

Engoli essa. Tinha mil opções para respondê-la, mas engoli.
Não sou de briga. Definitivamente!

Tive a chance de responder aa provocação num outro trecho da conversa, alguns minutos mais tarde, quando falaram que em Brasília só tinha ladrão.

- Quem manda os ladrões para lá são vocês e não o sofrido, porém heróico, povo da Paraíba.
(Que mentira, tem uma pancada de bandido paraibano fazendo a festa na Esplanada!!!)

Eles e a gordinha tiveram que engolir. Sem notinha...

4 comentários:

Anônimo disse...

Vc devia ter dado um fora bem bonito nessa gordinha desaforada....

Léo Alves disse...

Vc poderia tb ser preconceituoso com ela pelo fato de ser gordinha. Mas tenho falado ultimamente com algumas pessoas que quem tenta dominuir o outro é porque precisa se afirmar como pessoa. Talvez ela tenha pensado: "as pessoas zombam de mim porque sou gordinha. Mas pelo menos não sou paraibana". Pronto, ela se sentiu melhor naquele momento. Mas como bem disse uma vez Silvanir quando ela acordou no outro dia, olhou pro espelho e percebeu que continuou sendo gordinha. Não mudou nada ela ter te ofendido.
Esse comentário também foi preconceituoso. Quem sabe ela lê e eu arrumo uma confusão. Abs

Unknown disse...

Voadora de dois "pé" na gordinha!!!!!
E bem feito pro chifrudo do irmão dela!!!!!!!

Anônimo disse...

Você foi educado, e deu a resposta na hora certa. Eu moro em Portugal, e a maioria do Brasileiros que estão aqui são de outros estados do Brasil e sempre rola qualquer piada também sobre a nossa BRAVA GENTE, só que como uma legítima paraibana perco a educação e digo uma frase que nós dizemos muitos hehehe "vá se lascar". Um grande abraço e boa sorte em tudo.