sexta-feira, 28 de setembro de 2007

É comigo?

Ao colocar a primeira garfada com arroz-e-feijão na boca, ele levantou a cabeça e olhou para a entrada do restaurante. Passeou com o olhar pelas mesas vizinhas e percebeu uma morena de cabelos lisos três mesas aa sua frente.

Após a segunda garfada, já com o arroz-e-feijão dividindo espaço com a farofa e o vinagrete na boca, ele se tocou que a morena o observava também. Desajeitado, com a boca cheia, olhou para trás, para saber se havia alguém que ela pudesse conhecer nas proximidades de sua cadeira. Ou até mesmo se havia um relógio de parede acima de sua cabeça.

A morena não parava de secá-lo.
A euforia tomou conta dele.

Quando deu o primeiro corte na macaxeira em seu prato, ele resolveu dar mais uma espiada e a via levantando as sobrancelhas, como se dissesse: "Oi, você, tudo bem?".

Para ele estava bem, mas podia melhorar. Era só engatar aquele chat aa distância.
Juntamente com a macaxeira, ou mandioca para os brasilienses, ele acomodou o coração de galinha no mesmo garfo e mastigou balançando a cabeça em direção aa morena respondendo silenciosamente que estava "muito bem, obrigado".

Por um segundo se distraiu e olhou para o prato para cortar a picanha.
Aaquela altura, pensamentos pecaminosos povoavam a mente dele. Com um pedaço da carne nobre no garfo tomou a iniciativa. Apontou o talher em direção a ela e fez um gesto tipo:

- E aí, vamos ficar conversando a distância?

No último gole da sua coca-cola, ela devolveu o copo aa mesa, abriu a palma da mão timidamente em direçãoa ele, pedindo para esperar e se levantou.

Em quatro garfadas, três ou quatro movimentos com a cabeça, conquistara uma bela mulher. Enquanto ela limpava a boca com o guardanapo e se dirigia em direção aa sua mesa, ele separou a gordura da picanha e a colocou no prato ao lado.

Ao lado de sua mesa, ela sequer o mirava, mas ele arrastou a cadeira para trás e estava prestes a levantar-se para dar os tradicionais dois beijinhos de apresentação na morena, quando ela passou direto.

Ele seguiu acompanhando a trajetória da moça - não só ele, como todo o restaurante - até vê-la parar numa mesa cheia de mulheres, duas fileiras atrás de onde ele estava.

Era com elas que a morena conversava aa distância.
Ele perdeu a fome e foi embora do restaurante de barriga vazia.

*Contribuição do meu amigo Da Silva

3 comentários:

Anônimo disse...

Só queria pedir um favor... para com essa mania que escrever AA ao invés de à! A gente ja sabe que vc sabe quando usar crase, então use!!

Felipe disse...

Pior que isso sooo se ela fosse uma leeeeeesbica. Jaaaaa pensou???

Unknown disse...

Oxe, pensei também que ela era lésbica...Já que isso foi contribuição de seu amigo Da Silva, vou perguntar a ele, se elas eram ou não- hehehehe

abraços